Outubro Rosa reforça a importância da conscientização e do cuidado com a saúde das mulheres
A Câmara Municipal de Itapetinga destaca, neste 1º de outubro, o início do Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e à importância da prevenção, da detecção precoce, do acesso à informação e dos cuidados com a saúde.
Realizada anualmente durante o mês de outubro, a campanha é respaldada pela Lei Federal nº 13.733/2018, que prevê atividades de conscientização sobre o câncer de mama, incluindo ações educativas, palestras, eventos e campanhas de informação.
Em Itapetinga, a iniciativa também integra o calendário oficial do município por meio da Lei Municipal nº 1.242, de 2 de abril de 2014, que instituiu o Mês de Enfrentamento ao Câncer de Mama “Outubro Rosa”.
A legislação municipal é fruto do Projeto de Lei nº 31/2013, de autoria da então vereadora Naara Duarte, enfermeira e parlamentar que exerceu três mandatos consecutivos na Câmara Municipal.
Naara faleceu em 2 de janeiro de 2022, aos 52 anos. Sua contribuição como profissional da saúde, vereadora e presidente do Legislativo Municipal permanece registrada na história de Itapetinga.
Conhecer os fatores de risco também é uma forma de cuidado
O câncer de mama não possui uma causa única. O risco de desenvolver a doença aumenta com a idade e pode estar relacionado a fatores genéticos e hereditários, à história reprodutiva e hormonal e a aspectos comportamentais e ambientais.
Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o excesso de peso, especialmente após a menopausa, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas. Histórico familiar importante de câncer de mama ou de ovário, principalmente quando os casos ocorreram em idade jovem, também deve ser informado ao profissional de saúde.
Ter um ou mais fatores de risco, entretanto, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer de mama.
Prevenção começa também pelos hábitos de vida
Nem todos os fatores de risco podem ser modificados, mas algumas atitudes podem contribuir para reduzir o risco da doença. Praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas recomendadas. A amamentação também é considerada um fator de proteção.
Manter o acompanhamento regular da saúde também é importante, especialmente para mulheres que apresentam fatores que possam aumentar o risco para a doença.
Atenção aos sinais das mamas
Conhecer o próprio corpo e perceber mudanças nas mamas é importante em qualquer idade. Entre os sinais que devem ser investigados estão o aparecimento de nódulo ou caroço na mama ou na axila, alterações na pele, retração ou mudança no formato do mamilo, saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando há presença de sangue, e alterações no tamanho ou formato da mama.
Ao perceber alguma alteração, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação.
É importante, entretanto, compreender que observar e tocar as próprias mamas não substitui os exames de rastreamento recomendados.
Autoexame não substitui a mamografia
Durante muitos anos, campanhas de conscientização incentivaram a realização periódica do autoexame das mamas. Com o avanço das pesquisas científicas, essa orientação foi modificada.
Evidências demonstraram que a realização sistemática do autoexame não reduz a mortalidade por câncer de mama. Além disso, alterações muito pequenas podem ainda não ser perceptíveis ao toque.
Por isso, atualmente, a recomendação é que as mulheres conheçam a aparência e as características habituais de suas mamas e estejam atentas a possíveis mudanças, procurando atendimento sempre que perceberem algo diferente.
A ausência de um caroço perceptível ao toque não significa, por si só, que não exista uma alteração. A mamografia pode identificar lesões suspeitas ainda muito pequenas e antes mesmo que sejam percebidas pela mulher ou durante a palpação das mamas.
Quando fazer a mamografia?
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama e pode possibilitar a identificação de alterações em fases iniciais.
No Brasil, desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer recomendam a mamografia de rastreamento, para mulheres sem sinais ou sintomas, a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos.
Mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos também podem realizar a mamografia pelo Sistema Único de Saúde, após orientação de um profissional de saúde e decisão compartilhada sobre os benefícios e possíveis riscos do rastreamento nessas faixas etárias.
Entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia adotam recomendação diferente e orientam a mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual.
Para mulheres consideradas de alto risco, como aquelas com determinadas alterações genéticas ou histórico familiar relevante, a idade para início e a periodicidade dos exames devem ser definidas individualmente, de acordo com avaliação médica.
Mamografia de rastreamento é diferente de investigação
As recomendações de idade e periodicidade para a mamografia de rastreamento são destinadas às mulheres que não apresentam sinais ou sintomas.
Quando existe um nódulo, alteração na pele da mama, mudança no mamilo, secreção com sangue ou outro sinal suspeito, não se deve esperar atingir a idade recomendada para o rastreamento.
A mulher deve procurar atendimento independentemente da idade. O profissional de saúde poderá indicar os exames necessários para investigar a alteração, que podem incluir mamografia, ultrassonografia e outros procedimentos. Quando existe uma lesão suspeita, pode ser necessária a realização de biópsia para confirmação ou exclusão do diagnóstico.
A detecção do câncer de mama em estágio inicial está associada a melhores possibilidades de tratamento e prognóstico.
Tratamento é definido para cada caso
Quando o câncer de mama é diagnosticado, o tratamento é definido individualmente, levando em consideração fatores como o tipo e as características do tumor, a extensão da doença e as condições de saúde da paciente.
As possibilidades de tratamento incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias específicas, que podem ser utilizadas isoladamente ou de forma combinada, conforme cada situação.
Os avanços no diagnóstico e no tratamento têm ampliado as possibilidades terapêuticas, especialmente quando a doença é identificada precocemente.
Cuidado deve continuar durante todo o ano
Mais do que uma campanha realizada durante um mês, o Outubro Rosa reforça a importância de manter os cuidados com a saúde ao longo de todo o ano.
Informação de qualidade, hábitos saudáveis, conhecimento do próprio corpo, atenção aos sinais e sintomas e acesso aos serviços de saúde são importantes para a prevenção e para a detecção precoce do câncer de mama.
Neste Outubro Rosa, a Câmara Municipal de Itapetinga se soma às ações de conscientização e reforça a importância da informação, do cuidado e da atenção permanente à saúde das mulheres. Para uma matéria institucional, considero importante manter as duas recomendações de mamografia, como fizemos: a política pública do Ministério da Saúde e INCA e, separadamente, a orientação das sociedades médicas. Assim, a Câmara informa corretamente que existe essa diferença, sem escolher uma recomendação em detrimento da outra.






