Câmara realiza sessão especial em homenagem ao Dia da Consciência Negra

Por iniciativa da vereadora Sibele Nery (PT), a Câmara Municipal de Itapetinga realizou, na quarta-feira (24), uma sessão especial em homenagem ao Dia da Consciência Negra, comemorado anualmente em 20 de novembro.
Participaram da mesa solene o pedagogo Luciano Di Maria, o historiador e professor da Rede Pública Municipal Eduardo Fiscina, o professor doutor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) Luciano Lima, Mariana Lima, representante do Coletivo Afro de Itapetinga, Dediane Silva, que também faz parte do Coletivo Afro e o secretário municipal de Esporte, Cultura e Lazer, Jailson Santana. A sessão contou ainda com a apresentação do Grupo Gingado Afro.
Em seu discurso, a vereadora Sibele Nery disse que o dia 20 de novembro é uma data especial para se refletir sobre a história da escravidão no Brasil e também pressionar por políticas públicas de combate às desigualdades econômicas e sociais que afetam a população negra. “O mês de novembro, o Dia da Consciência Negra é um momento para que a gente possa promover essa reflexão sobre o racismo no Brasil e a forma como ele estrutura nossa sociedade, as desigualdades sociais e a violência contra os negros”, justificou. A vereadora completou que o país não será verdadeiramente grande e decente enquanto a maioria da população não tiver acesso à educação, à moradia, à saúde e à oportunidade de bons empregos.
Palestrante da sessão, o pedagogo Luciano Di Maria é especialista em Direitos Humanos e mestrando pela Uesb em Relações Étnicas e Contemporaneidade. Ele destacou a importância da resistência negra ao longo da história do Brasil. “Houve muita resistência. Onde houve escravidão, houve resistência. E ainda há resistência. Esse momento aqui agora é um momento de resistência”, afirmou.
Luciano Di Maria apresentou uma tabela, que faz parte da sua dissertação de mestrado, com o quantitativo de africanos que foram trazidos para a região sudoeste da Bahia. Ele salientou a importância dos ancestrais negros na formação da identidade, da língua, dos costumes do povo brasileiro.

Em seus estudos, o pedagogo também analisa a chegada das religiões de matriz africana em Itapetinga. Ele revela que a Umbanda, por exemplo, tem origem em 1942, logo após a instalação da Primeira Igreja Batista na cidade, em 1938, sendo, portanto, a segunda religião a ser iniciada no município.
“Que nesse dia nós possamos nos conscientizar da nossa história, nossa memória, saber que este país, esta cidade foi construída pelos nossos ancestrais negros e indígenas e que muito ainda precisamos avançar em políticas para o nosso povo”, comentou.
Representante do Coletivo Afro de Itapetinga, Mariana Lima falou sobre a luta do povo negro contra o racismo e as desigualdades sociais, apontando movimentos sociais que foram intensificados ao longo dos tempos em prol dos direitos básicos como saúde, educação, moradia e trabalho. “O movimento negro é força histórica, que sempre resistiu e sempre resistirá. […] Não devemos parar. Muito pelo contrário, temos que resistir”, declarou.
Dediane Silva, que também faz parte do Coletivo Afro, ressaltou a grandiosidade do evento. “Essa noite é uma noite de plenitude, de alegria, de resistência e de luta”, avaliou. “Estamos aqui para representar as minorias, que muitas vezes são caladas pela sociedade”, explicou. Ela chamou a atenção para o fato de as mulheres pretas terem passado por várias circunstâncias de violação de direitos. Divulgou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública que apontam que duas em cada três vítimas de feminicídio são mulheres negras.
Poeta e cordelista, o professor Eduardo Fiscina apresentou um cordel intitulado “Cordel em defesa da diversidade e contra o preconceito”. Para ele, lidar com esse tema é muito importante. Nesse sentido, parabenizou a Casa Legislativa pela iniciativa e reafirmou que é preciso lutar contra o racismo.

O secretário municipal de Esporte, Cultura e Lazer, Jailson Santana, comentou sobre o evento realizado, no sábado (20), pela Prefeitura de Itapetinga junto aos povos de terreiros, grupos de capoeira e coletivos afros para celebrar o Dia da Consciência Negra. “A gente está aqui hoje, representando o prefeito Rodrigo Hagge, que se propõe cada vez mais a fomentar a cultura de uma forma bem plausível, e nós estamos sempre à disposição do setor cultural”, garantiu.
O professor Luciano Lima afirmou que não poderia deixar de reconhecer uma luta de muitos que foram durante muitos anos invisibilizados, silenciados. Como babalorixá e representante dos povos de terreiros de Itapetinga, pediu aos vereadores que continuassem a ouvi-los. “Os terreiros de Itapetinga existem. Os terreiros de Itapetinga têm um trabalho social maravilhoso, invisibilizado e silenciado por conta do preconceito, do racismo estrutural estabelecido, por conta do ego inflado e da falta de conhecimento sobre as múltiplas verdades”, ponderou.
Luciano Lima apontou para a existência de uma falsa democracia racial e falsa tolerância. “A gente não quer tolerância; a gente quer respeito, a gente quer espaço, a gente quer voz. Os nossos ancestrais já sofreram o que nós agora, nesse tempo, não precisamos mais sofrer”, finalizou.
A sessão especial em homenagem ao Dia da Consciência Negra foi transmitida ao vivo pelo canal TV Câmara Itapetinga no YouTube, Instagram @camaraitapetinga e Fascinação AM.





