Câmara realiza audiência pública em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

A Câmara Municipal de Itapetinga realizou uma audiência pública, nesta terça-feira (8), em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. O evento foi de iniciativa da vereadora Sibele Nery (PT).
Com o tema “Pela vida das mulheres! Por um Brasil sem machismo, racismo e fome”, a audiência pública reuniu várias personalidades femininas para uma roda de conversa. Houve também a apresentação musical da cantora Suzy em homenagem a todas as mulheres e a recitação de uma poesia por Letícia, representante da Associação Comunitária e Agrícola da Nova Itapetinga (Ascoani).
Participaram da mesa de debates a promotora de justiça Solange Anatólio, a advogada Maria Almeida, a enfermeira Fabiana Santana, a psicóloga Caroline Campos, Francine Martins representando o mandato do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), dona Silvina, a vereadora Manu Brandão (MDB), a servidora da Câmara e advogada Iandra Carneiro, a coordenadora institucional da Fundação José Silveira em Itapetinga, Ana Bárbara Matos, a professora Hosana Almeida, representante da APLB Sindicato e a enfermeira Mariana Cardoso.

Na plateia, estavam pessoas da comunidade, integrantes de órgãos do município, como o Núcleo Territorial de Educação (NTE 08) e escolas, professores e alunos do Colégio Paulo Hagge.
Ao justificar o evento, a vereadora Sibele Nery disse que é preciso entrar na luta em defesa da vida das mulheres, contra a fome, contra a carestia, contra a violência, pela saúde, por direitos, direitos sexuais, direitos reprodutivos e pela justiça. “Vamos fazer coro na luta em defesa do SUS e dos serviços públicos gratuitos e de qualidade. E precisamos lutar com a maioria que tem sofrido com a fome, com a perda de seus entes queridos, com a violência e também com o desemprego”, explicou.
A advogada Maria Almeida esclareceu como o ambiente jurídico pode auxiliar no enfrentamento das barreiras e dificuldades que as mulheres enfrentam dia a dia. Falou sobre leis específicas que versam sobre a questão da violência contra a mulher, entre elas a Lei Maria da Penha (11.340/2006) e a Lei do Feminicídio (13.104/2015).
Maria Almeida ressaltou ainda a importância da evolução legislativa na proteção à mulher. “A justiça, o Poder Judiciário, enquanto sistema que funciona para a organização social, para organizar a sociedade que a gente vive, precisa enxergar esses problemas específicos de gênero e ter leis direcionadas para a proteção da mulher em relação aos seus companheiros, em relação à sua vivência doméstica”, comentou.

A enfermeira Fabiana Santana fez uma apresentação sobre direitos das mulheres na área da saúde. Ela chamou a atenção do público feminino para a incidência de tumores de mama e do colo do útero e alertou para a importância da detecção precoce desses tipos de câncer, o que aumenta as chances de cura.
A psicóloga Caroline Campos abordou o tema da dependência emocional, apontando para a ocorrência de relacionamentos fracassados e que causam diversas consequências negativas para as mulheres. Segundo a psicóloga, uma das características da dependência emocional é a urgência de ser amado. “A gente nasce com as pessoas falando que a gente só vai ser feliz se a gente se casar. Parece que a gente só veio ao mundo com essa função, mas isso é uma mentira que contam para a gente porque nós, mulheres, temos tanta capacidade quanto os homens. A gente não depende basicamente de nada”, ponderou.
Para lidar com a dependência emocional, conforme orientação da psicóloga, é preciso tomar consciência da situação, entender a origem do problema, ter uma rede de apoio, melhorar a autoestima e fazer psicoterapia. Nesse sentido, o acompanhamento psicológico é quase sempre um requisito para elevar a autoestima da pessoa dependente.
A promotora Solange Anatólio contou sua história de vida como exemplo de superação. Ela sofreu com o racismo e a discriminação, foi estudante de escola pública e usou a educação como arma para vencer os desafios. “A educação tem o poder de nos transformar”, afirmou.

As demais componentes da mesa usaram a palavra e destacaram aspectos da luta das mulheres ao longo dos tempos, ressaltando a importância das conquistas alcançadas e, ao mesmo tempo, concluindo que ainda há muito para ser conquistado. Exemplo disso é a necessidade de uma maior participação feminina na política.
Aos 96 anos de idade, dona Silvina compartilhou um pouco de suas experiências, citando mudanças que marcaram a história nas áreas da segurança, saúde e educação.
Os vereadores presentes prestaram homenagens às mulheres pela passagem do Dia Internacional da Mulher, reconhecendo o valor das múltiplas funções que as mulheres exercem na sociedade.
A audiência pública foi transmitida ao vivo pelo canal TV Câmara Itapetinga no YouTube. O vídeo fica disponível para acesso e compartilhamento.




