Sessão Especial debate o panorama da saúde mental em Itapetinga

A Câmara Municipal de Itapetinga realizou uma sessão especial dedicada à Luta Antimanicomial nesta quinta-feira (2). A iniciativa foi do vereador Gegê (PSB) em comemoração ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que acontece anualmente em 18 de maio.
A sessão discutiu o tema “Panorama da Saúde Mental em Itapetinga: Desafios x Avanços”. Estiveram presentes autoridades, profissionais da saúde e integrantes da equipe da Rede de Saúde Mental do município.
Participaram da mesa de discussões a diretora de Atenção à Saúde e representante da Secretaria Municipal de Saúde, Karine Anunciação, a coordenadora de saúde mental do município, Jádira Gomes, a coordenadora do Caps III, Maria Betânia Gama, o coordenador do Caps AD, Wildeberg Rodrigues, a coordenadora das residências terapêuticas, Patrícia Campos, a senhora Rosemar Aguiar, representando dona Maria José Aguiar, que deu nome ao CAPS III, o médico Carlos Alberto Pio, o responsável técnico do Caps Ad, Tales Porto, e o motorista Rubens Andrade.
Ao justificar a sessão, o vereador Gegê explicou que a sessão especial tem como objetivo chamar a atenção de toda a comunidade para a importância da Luta Antimanicomial, que é um movimento em defesa dos direitos das pessoas com sofrimento mental e combate a ideia de isolamento desses pacientes. “Essa sessão está sendo realizada para que se quebrem esses paradigmas da sociedade em relação à pessoa com doença mental”, esclareceu.

Palestrante da sessão, a psicóloga Lilian Ferraz abordou a evolução da psiquiatria em sua apresentação. Lilian apresentou um vídeo com informações sobre a história da Luta Antimanicomial e os episódios que motivaram as principais mudanças ocorridas a partir da Reforma Psiquiátrica no Brasil.
Antigamente, prevalecia a ideia de que se deveria isolar os pacientes para tratamento de transtornos mentais. Uma das mais lamentáveis situações aconteceu no Brasil, em Minas Gerais, no hospital psiquiátrico da cidade de Barbacena, onde morreram cerca de 60 mil pessoas. O que ocorreu no hospital conhecido como Colônia, principalmente entre os anos de 1960 e 1970, ganhou o apelido de “Holocausto Brasileiro”. Por ter sido palco de maus-tratos, torturas e mortes, o hospital foi comparado a um campo de concentração nazista. A barbárie foi retratada em livro e documentário.
“Quando a gente fala sobre a questão da doença mental, sobre a questão da saúde, é uma pessoa, é um ser humano, que não pediu para ter nenhuma doença. Ninguém pede, ninguém deseja ter nenhum tipo de adoecimento”, ressaltou a palestrante ao mencionar as condições subumanas às quais foram submetidos os pacientes no precário e arcaico modelo de tratamento da saúde mental.
A psicóloga também falou sobre a abordagem atual da saúde para o tratamento e assistência às pessoas que sofrem com doenças mentais. Ela disse que hoje o que se pretende é oferecer o melhor serviço a esses pacientes. “A pessoa já passa por um nível de sofrimento psiquiátrico grave. Então, o mínimo que nós podemos fazer por elas é oferecer um atendimento humanizado”, defendeu.

Entre os marcos da revolução da psiquiatria estão os movimentos sociais dos trabalhadores; o II Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, na cidade de Bauru, no Estado de São Paulo; a I Conferência Nacional de Saúde Mental, no Rio de Janeiro; o projeto de lei do então deputado Paulo Delgado, que propôs a regulamentação dos direitos das pessoas com transtornos mentais e a extinção dos manicômios no país, resultando na Lei nº 10.216 de 2001, também conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, que instituiu um novo modelo de tratamento aos transtornos mentais no Brasil; a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em 2002.
Sobre os avanços na saúde ao longo desses anos, a psicóloga destacou a promulgação da Constituição Federal de 1988, que consagra a saúde como direito de todos, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Organização Mundial da Saúde.
Ao explicar a função dos Caps, a palestrante contou que eles surgiram em substituição aos hospitais psiquiátricos, visando à possibilidade de organização de uma rede que inclui o Caps, o Caps AD, as residências terapêuticas e todos os programas da saúde mental.
Lilian comentou que o Caps tem a função de prestar atendimento clínico, com regimento de atenção diária, evitando internações em hospitais psiquiátricos, promovendo a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais, regulando a porta de entrada da Rede de Assistência em Saúde Mental, na sua área de atuação, dando suporte à atenção em saúde mental na rede básica.
A psicóloga também mostrou fotos de atividades realizadas pelo Caps em Itapetinga que vão além do atendimento clínico, com o objetivo de promover a saúde por meio da interação social, da educação, da arte e do lazer.

Os componentes da mesa de discussões contribuíram com o debate, acrescentando informações sobre a atuação da Rede de Saúde Mental em Itapetinga, a importância do movimento que luta pelos direitos das pessoas com sofrimento mental, além dos desafios e avanços dos serviços de saúde voltados aos atendimentos de pessoas com sofrimento psíquico ou transtorno mental.
Durante a sessão especial, o vereador Gegê fez a entrega de moções de aplausos a pessoas que participaram ativamente da implantação do Caps e são pioneiras na Luta Antimanicomial e na defesa dos direitos das pessoas com sofrimento mental em Itapetinga.
Foram homenageados o motorista Rubens Andrade Santos, o médico e ex-vereador Carlos Pio, a psicóloga Maria Betânia Gama, a enfermeira Patrícia Campos e a coordenadora da Saúde Mental, Jádira Gomes.
Os vereadores presentes discursaram sobre a importância dos serviços de saúde mental, elogiaram a equipe do município pela prestação de um atendimento de qualidade aos pacientes e suas famílias e defenderam os direitos das pessoas com sofrimento mental a um tratamento humano e inclusivo, com respeito e dignidade.
A sessão foi transmitida ao vivo pela Rádio Fascinação AM e pelo canal TV Câmara Itapetinga no YouTube. O vídeo fica disponível para acesso e compartilhamento.
Fotos: Deivisson Neri/Ascom PMI





